Miguel Alcade | As pérolas cultivadas
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As pérolas cultivadas

As pérolas cultivadas

Pérolas – Capítulo 2

Meninas, estou adorando contar tudo para vocês sobre as pérolas, que são consideradas as “Rainhas das Gemas”. Nesse segundo vou explicar para vocês o que é a “pérola cultivada”, designação que certamente vocês vão ouvir quando forem comprar uma joia de pérola. A primeira pergunta que me fazem é qual é a diferença que existe entre a “pérola natural” e a “pérola cultivada”. A resposta é: absolutamente nenhuma!

Não existe diferença de beleza ou brilho, apenas as composições dos núcleos podem variar. A natural surge ao acaso, quando um elemento estranho, geralmente um grão de areia, entra no molusco. Já a cultivada recebe uma ajudinha do homem, que vai lá e introduz o tal elemento para que a ostra possa produzir a pérola.

Não fosse essa técnica, meninas, é muito provável que praticamente todos nós não tivéssemos acessos a essas graciosas bolinhas que tanto amamos. Isso porque a produção da gema seria tão escassa e elas seriam tão raras que apenas colecionadores bilionários poderiam se dar ao luxo de usar essa preciosidade. Felizmente, para a nossa alegria, o japonês Kokichi Mikimoto se dedicou a pesquisar sobre as pérolas e descobriu que era possível introduzir agentes (chamados por ele de núcleos) dentro da Ostra perlífera Pinctada martensi.

No processo criado por Mikimoto, as ostras são colocadas em cestos ou gaiolas ligados a uma balsa e ficam de dois a seis metros de profundidade. Frequentemente os cestos são retirados da água para higiene e controle dos predadores. Seu principal vilão é o zooplâncton (maré vermelha), pois quando aparecem em grande quantidade consomem muito oxigênio, podendo colocar em risco culturas inteiras das ostras. Os moluscos são criados até completarem de três a quatro anos. É preciso uma paciência oriental para esperar a pérola se desenvolver complemente, pois não há como acelerar esse processo que é longo, delicado e exige cuidados especiais.

Os núcleos que são inseridos nas ostras são confeccionados de pequenas esferas de madrepérola de ostras da água doce. Essas bolinhas minúsculas são envolvidas em uma camada de epitélio e, em uma operação cuidadosa, os núcleos são inseridos nas ostras. Essa atividade exige mãos delicadas e habilidosas, procedimento normalmente realizado por mulheres. Afinal, um pequeno descuido pode causar a morte do molusco.

Podem ser introduzidos núcleos de tamanhos diferentes, que vai de acordo com o tamanho da pérola, porém, quanto maior for o núcleo, maior a chance de rejeição. Perto de 80% das ostras morrem com a inserção de núcleos de 9 mm. Depois de três a quatro anos, as ostras são removidas da água e os agentes irritantes ficarão envolvidos pelo material perlífero com uma camada de 0,8 a 1,2 mm. Somente 10% do cultivo da colônia de moluscos obtêm pérolas de excelentíssima qualidade. É por essa razão que elas são raras e preciosas, e quanto maior a pérola, mais elevado é o seu valor.

Beijo, Beijo,

Miguel Alcade

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